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terça-feira, 5 de julho de 2011

Caso da Morte do Presidente do PT da Serra do Mel começa a ser elucidado:

Ednaldo Filgueira foi assassinado
Polícia prende executores e trabalha para juntar provas contra mandantes
Andrey Ricardo
Da Redação do Jornal DE FATO


As polícias Civil e Federal começam a reunir provas para tentar prender o mandante (ou mandantes) do assassinato do jornalista e ex-líder do Partido dos Trabalhadores (PT) em Serra do Mel, Edinaldo Filgueira, que foi morto a tiros no dia 15 do mês passado por pisto-leiros. Ontem, foram apresen-tados cinco suspeitos do crime, sendo um agenciador, três executores e o quinto seria uma espécie de facilita-dor, que guardou armas e ajudou na fuga. Quanto à motivação, a Polícia atribuiu à atividade jornalística.

As prisões foram realizadas durante o fim de semana em Mossoró, Natal e Serra do Mel, em uma operação conjunta das polícias Civil e Federal, que se uniram na investigação. Rafânio Brito de Azevedo, de 30 anos, um velho conhecido das autoridades na região Oeste do Rio Grande do Norte por envolvimento com diversos crimes, é apontado como o agenciador. De acordo com o delegado Odi-lon Teodósio, que foi desig-nado para investigar o crime em caráter especial, Rafânio faz uma espécie de terceiriza-ção de serviços e contrata três pistoleiros que teriam "serviços" em todo o Estado.

Abnadabe Nunes Ismael Pereira da Silva, 31, conhecido como "Foguinho", Fábio Ferreira da Silva, 23, o "Galego", e Paulo Ricardo da Costa, 24, o "Paulinho", seriam os responsáveis pela execução, ainda de acordo com a investigação. O quinto suspeito preso nessa mesma operação, Marcelio de Sousa Moura, de 29 anos, é apontado pela investigação como um facilitador da qua-drilha. Ele seria o responsável pela guarda das armas do bando, bem como o apoio logístico. Com ele foram apreendidas oito armas, sendo quatro escopetas calibre 12 e quatro revólveres calibre 38 e vasta munição.

Ao DE FATO, o delegado Odilon Teodósio não quis adiantar quais serão os próxi-mos passos na investigação, mas deixou claro que o foco agora é prender o mentor (ou os mentores) intelectual do assassinato. De acordo com ele, nenhum dos suspeitos presos quis ajudar na investigação, possivelmente temendo sofrer algum tipo de represá-lia, mesmo estando em uma unidade prisional do Estado. Durante a conversa com a reportagem, Odilon deixa transparecer que já existe uma linha de investigação que pode levar ao mandante, mas evita falar sobre o assunto ao ser questionado.

Odilon diz apenas que a atividade jornalística, que ti-nha um viés político devido à ligação partidária da vítima com o PT, seria o motivo do crime. É nesse momento que o delegado deixa transparecer que já conhece o nome do mandante ou dos mandantes do crime. "Apesar de ser um líder político, ele não tinha toda essa força. Mas o traba-lho jornalístico dele incomo-dava demais algumas pessoas", destaca o delegado, referindo-se ao site e ao jornal que eram editados por Edinaldo, ambos voltados para o cotidiano de Serra do Mel. Ao ser questionado sobre "essas pessoas", Odilon não quis falar.

A prisão de cinco suspeitos acontece poucos dias após o delegado Odilon Teodósio ter sido designado pela Delegacia Geral de Polícia Civil (DEGEPOL) para investigar o caso em caráter especial. Ele pediu afastamento da função de di-retor do Departamento de Narcóticos (DENARC) de Natal para se dedicar exclusivamente a investigação desse crime. Ele define essas prisões como o primeiro passo da investigação e que agora todos os esforços estão concentrados em reunir provas contra o mandante (ou os mandantes). Por enquanto, ele não define prazos para apresentar os no-vos resultados.


Quadrilha agia sem medo de represália
Um dos pontos que chamou a atenção do delegado Odilon Teodósio nas investigações foi a despreocupação dos integrantes da quadrilha com relação às autoridades locais.

Conversando com moradores, muitos através de testemunhos extra-oficiais, o delegado diz ter percebido que o grupo amedrontava os moradores da Serra do Mel e que não se preocupava com as represálias por parte das forças policiais.

"Fomos, aos poucos, nos aproximando das pessoas certas. Ninguém de lá queria falar, queria ir até a delegacia para prestar um depoimento por medo das consequências", diz.

O delegado vai mais além e revela acreditar que a quadrilha se sentia intocável. O grupo é apontado como autor de dezenas de crimes registrados principalmente na região Oeste, como assaltos a banco, crimes de pistolagem e outras ações.

"As pessoas não acreditavam que eles seriam presos e, depois, denunciar um cara desses é perigoso. Muitas pessoas até saíram da região com medo. Não estava difícil. Faltava uma estrutura independente chegar e investigar e é claro que a participação da Polícia Federal, que foi imprescindível, já que não tínhamos toda a estrutura", acrescenta Odilon Teodósio.


Grupo tinha outras mortes sob encomenda
As investigações em torno dos três pistoleiros, além do agenciador e do facilitador, apontam que o grupo pretendia cometer uma série de crimes na região da Serra do Mel, onde o ex-presidente municipal do PT foi assassinado, fora outros "serviços" encomendados na região e na capital do Estado.

Além do presidente municipal do PT, os pistoleiros também foram contratados para matar um comerciante em Serra do Mel. Esse homicídio, de acordo com a Polícia, não chegou a ser concretizado.

O bando também é acusado de executar um homem identificado como Jailton Galdino da Silva, no dia 6 de abril desse ano, também em Serra do Mel.

Mais três pessoas seriam executadas pela quadrilha nos próximos dias, segundo as investigações feitas pelas polícias Civil e Federal. As três vítimas são da região da Grande Natal.

A Polícia não divulgou o nome das supostas vítimas da quadrilha e não confirma se todos os crimes que estavam previstos para acontecer estariam ligados ao mesmo mandante que encomendou o assassinato de Edinaldo.

"O importante é retirar essas pessoas de circulação. A gente evita que essas pessoas cometam outros crimes e isso é um grande bem para a sociedade", ressalta Odilon Teodósio.


* Matéria reproduzida do www.defato.com

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