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quarta-feira, 16 de março de 2011

A evolução da educação

* Caramurú


Nestes dias ouvi do Senador Randolfe, do PSOL – AM que “a ação é a expressão do pensamento”. Forte e oportuna , julguei a frase . Terminei me sentindo motivado a trazer a tona a resenha que fiz recentemente para o trabalho de especialização em gestão ambiental que tratava da evolução e do papel da educação.


Tratava-se de um capítulo de um livro que discutia o Compromisso Social do Professor, trazendo para um viés da perspectiva histórica da educação ou, como diria Caetano Veloso, “O que quer e o que pode esta língua ?”. No caso, o que quer e o que pode a educação ?.


Para fins de estudo, o autor dividiu em três as principais perspectivas do sistema educacional. Concordo com o texto quando diz que cada forma de ensinar tem haver com a manutenção ou mudança das relações sociais de poder, razão pela qual a educação formal foi criada. Segundo o texto do blogueiro João Paulo (ver texto proposta indecente), esta tendência atual é dos políticos quererem que a juventude nada aprenda e continue no cabresto.


Também acredito que não há educação inocente. Conforme o texto, o sistema educacional se divide em três principais perspectivas que são a Clássica, a Humanista e a Moderna. A primeira é também a mais antiga e tem sua origem na antiguidade greco-romana. Na perspectiva clássica é enfatizado o domínio da sala de aula pelo professor e ao aluno cabe um papel passivo de absorção do conhecimento que é totalmente definido e monitorado pelo professor, modelando o destino do ‘pupilo’.


A perspectiva clássica tem o valor de representar, ao seu tempo, o primeiro passo quando alguns homens se fizeram intelectuais e começaram a acumular conhecimento da humanidade. Na Grécia e em Roma fazia sentido os poucos estudiosos identificarem pupilos que absorveriam a sapiência dos mestres e ficariam responsabilizados de perpetuarem na humanidade. Neste momento a educação formal não era universalizada e o conhecimento era uma arma a serviço dos poderosos de alguns povos.


O texto observa que alternativamente a perspectiva clássica surgiu a Humanista. Para a consolidação desta nova visão do sistema educacional foram percorridos mais de 500 anos na história da humanidade e como a própria denominação sugere encontra-se num momento de ampliação do conhecimento científico, do aumento da população mundial, dos direitos coletivos e da geografia do planeta. Neste novo momento que a humanidade buscava a descoberta e a experimentação, a educação clássica parecia esvaziada ou, pelo menos, insuficiente para alimentar em cada ser humano seus desejos pessoais de entrarem para a história inventando instrumentos e conceitos revolucionários para a história humana.


Neste contexto, se observa que o surgimento da perspectiva humanista na educação ocorreu numa reação à rigidez da escola clássica. A perspectiva humanista tem suas referências em pensadores como Comenius (1592-1670), Rosseau (1712-1788) e Maria Montessori (1870-1952). A importância do professor é diminuída e a responsabilidade aumentada na medida em que tem de ser capaz de facilitar a aprendizagem a partir das prioridades definidas pelo potencial de cada aluno.


Parece evidente que para sociedades que não aceitavam verdades absolutas e contestavam até os movimentos do Sol e da Terra, a perspectiva humanista da educação acolhia melhor os alunos curiosos e abria outros campos desconhecidos para serem visitados no processo de aprendizagem. Por vez é importante ressalvar que os movimentos não acontecem linearmente e dentro deste momento e, até os dias atuais, a perspectiva anterior continuaria a existir e confrontar com o novo. Como canta Caetano Veloso “Narciso acha feio o que não é espelho e a mente apavora com o que ainda não é mesmo velho”.


Mais uns 100 anos à frente na história da humanidade e consolida-se a Perspectiva Moderna colocando-se como um modelo híbrido que buscava acomodar as vantagens das anteriores. Entre os defensores desta tese destaca-se John Dewey (1859-1952) que apesar da crítica a rigidez curricular ‘não via conflito inerente entre o conteúdo da matéria e os interesses dos alunos’. Para John Dewey ‘a escola deveria harmonizar as necessidades individuais das crianças com valores coletivos e prioridades da sociedade’.


A perspectiva Moderna ganhou espaço num momento em que a humanidade nega os extremismos e com o esgotamento das grandes descobertas, busca-se encontrar hibridismo que dêem respostas as limitações antigas em todos os campos do conhecimento; e, ao mesmo tempo, apontem para sinergias que respondam as demandas atuais da sociedade globalizada. A educação como fenômeno social caminha e encontra nesta última perspectiva o método que mais se aproxima da revolução que vem acontecendo fora da sala de aula.


Observando o texto, constata-se que não existe inocência na opção metodológica de cada perspectiva educacional. Assim cada didática tem efeitos diferentes sobre o processo de ensino-aprendizagem. Com uma população de cerca de 6 bilhões de habitantes e a universalização da educação, não parece que a perspectiva clássica tenha capacidade de resposta para o atendimento de tantos anseios, haja vista a centralidade do conhecimento no professor repassador.


Portanto, a perspectiva Moderna se posiciona como mais atual pela sua capacidade de apostar e mobilizar os diferentes potenciais dos educandos. Entretanto, cabe lembrar Makarenko quando afirma que “a disciplina e o esforço pessoal é condição central no processo educativo”. Neste sentido, os autores são enfáticos (e eu concordo) quando observa que existem professores que, sob o manto da educação centrada no aluno, se eximem da responsabilidade provocativa e formativa. Este extremo também não parece suficiente na formação do conhecimento nos dias atuais.


Ao final, deste texto procuro provocar nossos visitantes para ajudar na resposta da pergunta que começamos:


O que quer e o que pode nossa educação ?


* Imagem ilustrativa de www.monsenhortabosanews.com.br
 

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