O que está procurando?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ESTUDE PARA “SER ALGUÉM NA VIDA”


*Nádia Maria Silveira Costa de Melo
 
Eis uma expressão corriqueira em nossa sociedade. Uma Ideia que pedagogos rebatem, pois basta observar que antes de adentrar na sala de aula, o indivíduo já é alguém. No entanto, a sabedoria popular continua a advogar assim. Em um blog encontrei a seguinte questão: “O que eu faço para ser alguém na vida? Eu tenho medo de num ser ninguém na vida...eu penso no meu futuro...já até fiz planos para ele...”. É incrível como estamos sempre nos preocupando com o futuro. Isso é bom desde que não se esqueça de viver o presente. 

Foi essa preocupação genérica que, naquela quinta-feira (07.04.2011), levou centenas de crianças à escola carioca, no bairro do Realengo (RJ). Quantas delas não ouviram seus pais afirmarem confiante de que deveriam ir à escola, pois ali encontrariam a fórmula para ser alguém na vida? Você já pensou o que significa “ser alguém na vida”? Uma expressão de uma vagueza semântica sem aferição. O que é ser alguém? Qual o parâmetro para que se considere “ser alguém na vida? Alguém em que vida? São algumas perguntas para as quais não encontro respostas tão facilmente. Você poderia me ajudar?

Com esses pensamentos, fico a desenhar uma cena que pode ter ocorrido no amanhecer daquela quinta-feira. De repente, vejo crianças serem despertadas de seus sonhos infantis por seus familiares sob o pretexto de irem à escola “para serem alguém na vida”.  Algumas resistem, querem dormir mais um pouco, porém seus pais insistem afirmando que seu futuro depende deste sacrifício...E, assim, lá vão caminhando pelas ruas em busca de um ideal sonhado mais por seus familiares que por eles mesmos. Não sabiam eles que o futuro que os aguardava não estava escrito em contos de fadas, mas em histórias de terror e tragédias. Ignoravam, assim, que estavam na iminência de se “tornarem alguém”...mas alguém em outra vida. Ser alguém, para eles, significou se eternizarem como crianças, pois foram impedidos de seguir o curso normal da existência humana. Assim, inocentes partiram para o futuro... um futuro que aqueles que por alguma razão faltou aula naquele dia, não conquistou. Esses estão a dizer que nasceram de novo.

Eles partiram literalmente. No entanto, alguns que aqui estão sentem-se como tendo partido também. Uma partida dolorosa, pois se tem consciência de ainda estarem aqui. Esses a quem me refiro são, principalmente, os familiares mais próximos: seus pais, avós... Imagine a sensação de remorso que deve invadir a vida de alguns por terem insistido para que seu ente querido fosse à aula naquele dia. As lembranças ficaram vivas em sua memória, aquela voz suplicando: “ _não quero ir hoje, deixa-me ficar em casa!”. Como conviver com esta petição filial não atendida?  Como prosseguir e tocar a vida adiante? Mas tocar a vida para onde? Haja vagueza nas palavras cotidianas!

Enfim, o luto não é de um particular, é de uma nação. Afinal, não só os familiares, mas “todos brasileiros ficamos” de luto (diz a gramática que essa é uma concordância ideológica). E fiquemos a repensar o seguinte: será que ainda poderemos convencer nossos filhos a irem estudar “para que sejam alguém na vida?”


Voltando a preocupação exposta acima, veja o conselho dado ao blogueiro: - seja sempre honesto e não deixe sua vida passar...ESTUDO NUNCA É DEMAIS...Parece que para aqueles estudantes do Realengo, o "estudo" foi demais...ele foi fatal!


Nádia Costa é profa. do curso de Letras da UERN, no Campus de Assu e Núcleo de Macau-RN.

Nenhum comentário: